quinta-feira, 29 de julho de 2010

Novo.

Nada é incessante
quando se fala em novidade.
Não existe melhor que o ''novo''
para reger um planeta
tão antigo.

Instante.

O instante perante o medo
faz com que o tempo pare,
o coração acelere,
a voz se transforme em grito,
e a respiração
fique pesada,
até findar.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

?

Por que questiono-me?
Por que simplesmente não ajo,
sem saber o porquê?
Por que simplesmente não faço,
sem pensar inúmeras vezes?
Por que simplesmente não sou?
E questiono-me de novo....


terça-feira, 13 de julho de 2010

Queria.

Queria ter tudo
que nunca tive.
Ser tudo
que nunca fui.
Fazer tudo
que nunca fiz.
Mas simplesmente,
não tenho,
não sou,
não faço.

sábado, 3 de julho de 2010

A história se repete.

Odeio quando depois de tudo você me vem com essa carinha de sempre. O seu olhar entra em mim, como um pedido de desculpas. Continuo tentando me fazer de difícil, mas é uma tarefa árdua. Você insiste em se consertar e me desconsertar. Dá aquele sorriso meio torto, pisca os olhos amendoados e tristes devagar como quem diz: "estou arrependido, me dá uma segunda chance...". Mas afinal, de quantas segundas chances você precisa? Dessa vez ela não viria, era o fim. Não podia mais me machucar por sua causa, então recuei. Você pegou meu braço e disse meu nome, pediu que eu esperasse. Não podia mais esperar, você sabia muito bem que te perdoaria se esperasse. Mas esperei. Por que será que era tão difícil pra você dizer o que sentia? Eu entendia bem sua expressão, mas eu queria ouvir. Qualquer uma gostaria de ouvir. Você mexeu nos cabelos nervoso, suas mãos suavam, dava para perceber. Eu estava triste em te ver daquele jeito, lembrava de tudo que passamos juntos. Era inevitável que eu ficasse mal com esse momento. Você sabia que eu estava ficando cada vez mais tensa, ou mais decepcionada - mesmo que comigo - de te deixar novamente. Porque dessa vez, nós dois sabíamos, não haveria volta. Você repetiu meu nome, suspirou. Eu sentia que você estava prestes a chorar. Tinha que ir embora. Se você chorasse, não aguentaria. Voltaria atrás. Mas não podia. Você estava errado, pela milésima vez, e eu não merecia mais ficar com o coração na mão. Virei-me de costas, não podia mais ficar ali. Andei, três passos no máximo, dei uma ultima olhada e vi você chorar. Corri. Foi impulsivo. Se ficasse mais um minuto perto de você, a história se repetiria. Não podia deixar, merecia um novo final. Corri mais, corri ladeira abaixo, não via nada nem ninguém, só corria, até não aguentar. Parei. Sentei-me no meio da rua, chorei. Não queria, mas chorei. Solucei, relembrei, chorei mais. Passou-se um tempo e resolvi. Levantei. Não tinha mais nada para fazer. Acabou. De cabeça erguida comecei a andar. Do fim da ladeira, alguém gritava por mim. Olhei. Era você, tinha voltado. Não queria, mas esperei. Você se aproximou e falou: "Eu... é... queria te pedir desculpa." Por que você não disse o que eu queria? Eu já sabia que estava arrependido. Esperei por isso!? Balancei a cabeça, insatisfeita, virei-me. Você pediu mais uma vez que eu esperasse. Não queria, mas esperei. Segurou minha mão. Podia sentir o suor das suas de nervoso. Seus olhos vermelhos de um choro recente. Mas um meio sorriso se abriu: "Eu te amo."