sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Areia.

Estava sentada no meio daquele mar. Sentada na imensidão azul, quase transparente, e com a areia fazendo cosquinha nos meus pés. Pensei nas horas, "que horas deveriam ser?". Pensei nos outros, "o que deveriam achar de mim?". Pensei na sorte que tinha de estar ali. Fechei os olhos. Não sentia nada, era estranho. Ao mesmo tempo que me sentia isolada de tudo numa imensidão com barulho apenas do silêncio e das ondas que quebravam nas pedras, sentia-me parte do homem urbano, o mesmo que não sente mais nada, a não ser a falta de dinheiro. Porém, o que eu mais queria era sentir algo. Não consegui, mesmo que no paraíso, me desligar da ansiedade e da necessidade. E naquele momento, onde não havia isso, estava nervosa por simplesmente não sentir nada. Permaneci meus olhos fechados. Minha pernas cruzadas, sentada na areia. Entrelacei meus dedos embaixo d'água, rezei. E então um banho de emoção me regia. Não sabia bem o que. Mas, eu estava sentindo e pensando em milhões de coisas ao mesmo tempo. Agarrei forte um montinho de areia em cada mão. Comecei a balançá-las. E ao mesmo tempo que meu corpo permanecia estagnado, minha alma estava em um movimento constante e absurdo, como aqueles grãos de areia que se perdiam na imensidão do mar enquanto caiam das minhas mãos já com fendas entre os dedos...

Maresia.

As ondas aceleram
E o meu peito pulsa.
As batidas continuas,
agora estagnadas
por um ímpeto do destino.









sábado, 13 de novembro de 2010

Mistura perfeita.

Um pouco de paz,
associado a uma dose de loucura.
Paz é o que o mundo precisa para sustentar-se.
E loucura é o que precisamos para aguentar esse sustento.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Cansada de cansar.

Cansada de cansar.
Queria simplesmente
levantar e ser.
Viver.

Não há mais emoção.
Não me apaixono há tempos,
e me recuso a ficar apaixonada novamente.

Vida maluca essa,
onde se foge do amor.
"Primeiro me firmo, depois amo."

Sou a ultima a concordar com essa hipocrisia
de acreditar que existe hora
e pessoa certa para se amar.
Mas,
sou a primeira a manter a tradição.

Nem eu mesma entendo-me.
Como diria Ferreira Gullar:
"traduzir-se".

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Enfim.

Enfim, o fim. Dias que não pareciam acabar, e dias que não queria que acabassem; porém, dias que acabaram. Dias de amor intercalados com uma dose de indiferença e outra de dor. Dias que marcaram, literalmente, os nossos corpos e almas. Difícil é pouco para definir esta decisão. Mas, "necessária" é a palavra que melhor a define. Este significa não apenas o próprio fim, mas o impedimento de um início de sofrimento prematuro. É quase impossível, e improvável, que eu consiga julgar essa escolha como correta, mas fez-se necessário dar tempo ao tempo. Como no passado, repetimos o mesmo erro: tudo ocorreu com uma velocidade demasiadamente acelerada; e desta vez, com um tempero especial de saudade.
Enfim, o fim. Talvez, apenas um fim, que termine sem ponto final, mas com reticências.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Presa.

Me sinto presa
no meu próprio corpo.
É inevitável a
claustrofobia.

Palavras.

Quero que cheguem palavras,
em um envelope pardo,
lacrado com uma fita verde.

Enquanto ainda não sei
tornar o sonho real,
escrevo.

domingo, 24 de outubro de 2010

Valor esquecido.

Valor esquecido,
atribuído apenas quando não
há mais jeito
de dar certo.

Valor esquecido,
que nasce das cinzas
de um fogo
já apagado.

Valor esquecido,
lembrado apenas
por um momento;
e novamente esquecido.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Orgulho.

As letras borradas, a mão trêmula e o corpo fraco. Sinônimo perfeito de coração partido. Deparei-me com um peito de ferro maciço e vazio. O vermelho do meu sangue se anulava no azul do seu. E a minha tristeza era absurda perto da sua indiferença. O mais difícil de todo término é pensar que um dia houve início; que um dia, mesmo que de forma prematura e hipócrita, houve amor. E o que chamamos de amor se perdeu de forma tão fácil que chego a me perguntar se já amei. Tudo jogado fora por uma luxúria barata, da qual quem sabe, um dia você nem ao menos lembre. Senti-me um objeto que é adorado por pouco tempo, até que perde a utilidade. O pior é que nunca quis ser útil a você. Fui até egocêntrica, esqueci-me de que uma relação baseia-se em trocas. E talvez, esse egocentrismo tenha me tornado cega debaixo das mais puras e claras verdades, que possuíram-me de forma tão intensa quando descobertas, fazendo-me ver que não pensei em você de novo. Talvez, as letras borradas, a mão trêmula e o corpo fraco, não sejam sinônimo perfeito de coração partido, mas de orgulho ferido.

sábado, 25 de setembro de 2010

Noite.

O escuro não significa solidão.
Às vezes este é mais companheiro
que o claro.

A noite vazia preenche o buraco
deixado por um dia.
Aplicam a um dia de sol,
um dia ideal.
Mas não o é.

A certeza de ter que fazê-lo,
o torna morno perto das expectativas.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Falsa surpresa.

A expectativa criou
uma visão de mundo
que superou a
realidade.

Melhor seria
não pensar,
mas agir,
inusitadamente,
para que o esperado,
se tornasse inesperado.

A surpresa é sempre mais gostosa.

domingo, 5 de setembro de 2010

Tempo.

Ausência que causa dor.
Distorção das palavras,
orgulhosa.
Quando te vi chorar,
meu peito estalou.
Percebi que fui radical.

Só o tempo cura
a relação perdida.
Só o tempo fecha
a ferida ainda aberta.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Águas salgadas.

Preciso chorar.
As lágrimas são
o mais puro exemplo
do desabafo
entalado no meu peito.

Dor que não se mede,
psicológica.
Dor sem motivo,
mas motivada.

Preciso chorar.
Antes que no meu
peito cheio de dor
não haja mais espaço
para um sorriso
e um amor.

História sem meio.

Me deparei com o
fim do começo,
e percebi o começo
do fim.

Dias ruins.

Toda história tem
um final feliz;
mesmo que para o vilão.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Infeliz.

Estou infeliz.
Mais infeliz por estar infeliz baseada nos outros.
Mais infeliz por esquecer os que me querem bem,
e ressaltar os que me querem mal em minha mente.
Mais infeliz por me sentir assim e não poder controlar.
Mais infeliz por ser completamente inevitável estar infeliz.
Mas, encontrei quem tirasse o ''in'';
Fiquei feliz.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

A pessoa certa.

Muito tempo pensei. Parei. Larguei tudo que fazia. Pensei mais. E conclui: Não estamos mais juntos porque você era a pessoa certa. Parece estranho; Mas era realmente a pessoa certa pra mim. Porém, indago: "o mundo é certo?" Qual é a graça? Qual é a diversão de viver num mundo com regras cem por cento compridas? Às vezes precisamos chorar. Às vezes precisamos da dor. Às vezes precisamos cair; Se não, como saberíamos nos levantar? Às vezes precisamos fugir de tudo, para nos darmos conta que talvez, a pessoa certa não seja tão certa assim. Porque a perfeição, quando cotidiana, se banaliza. O dia, vira apenas um dia. A noite, vira apenas uma noite. E assim percebemos como o homem é insaciável. A busca pela perfeição é contínua, mesmo quando é concluída. Pois pensamos que deve ser imperfeito ser perfeito todos os dias. A ironia, cercada por um paradoxo acaba regendo essa procura. E aí, pude concluir que às vezes a pessoa certa seja a pessoa errada.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Máscara.

Um pedido de desculpas
não anula o erro.
É apenas um pretexto
para um suposto esquecimento.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Novo.

Nada é incessante
quando se fala em novidade.
Não existe melhor que o ''novo''
para reger um planeta
tão antigo.

Instante.

O instante perante o medo
faz com que o tempo pare,
o coração acelere,
a voz se transforme em grito,
e a respiração
fique pesada,
até findar.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

?

Por que questiono-me?
Por que simplesmente não ajo,
sem saber o porquê?
Por que simplesmente não faço,
sem pensar inúmeras vezes?
Por que simplesmente não sou?
E questiono-me de novo....


terça-feira, 13 de julho de 2010

Queria.

Queria ter tudo
que nunca tive.
Ser tudo
que nunca fui.
Fazer tudo
que nunca fiz.
Mas simplesmente,
não tenho,
não sou,
não faço.

sábado, 3 de julho de 2010

A história se repete.

Odeio quando depois de tudo você me vem com essa carinha de sempre. O seu olhar entra em mim, como um pedido de desculpas. Continuo tentando me fazer de difícil, mas é uma tarefa árdua. Você insiste em se consertar e me desconsertar. Dá aquele sorriso meio torto, pisca os olhos amendoados e tristes devagar como quem diz: "estou arrependido, me dá uma segunda chance...". Mas afinal, de quantas segundas chances você precisa? Dessa vez ela não viria, era o fim. Não podia mais me machucar por sua causa, então recuei. Você pegou meu braço e disse meu nome, pediu que eu esperasse. Não podia mais esperar, você sabia muito bem que te perdoaria se esperasse. Mas esperei. Por que será que era tão difícil pra você dizer o que sentia? Eu entendia bem sua expressão, mas eu queria ouvir. Qualquer uma gostaria de ouvir. Você mexeu nos cabelos nervoso, suas mãos suavam, dava para perceber. Eu estava triste em te ver daquele jeito, lembrava de tudo que passamos juntos. Era inevitável que eu ficasse mal com esse momento. Você sabia que eu estava ficando cada vez mais tensa, ou mais decepcionada - mesmo que comigo - de te deixar novamente. Porque dessa vez, nós dois sabíamos, não haveria volta. Você repetiu meu nome, suspirou. Eu sentia que você estava prestes a chorar. Tinha que ir embora. Se você chorasse, não aguentaria. Voltaria atrás. Mas não podia. Você estava errado, pela milésima vez, e eu não merecia mais ficar com o coração na mão. Virei-me de costas, não podia mais ficar ali. Andei, três passos no máximo, dei uma ultima olhada e vi você chorar. Corri. Foi impulsivo. Se ficasse mais um minuto perto de você, a história se repetiria. Não podia deixar, merecia um novo final. Corri mais, corri ladeira abaixo, não via nada nem ninguém, só corria, até não aguentar. Parei. Sentei-me no meio da rua, chorei. Não queria, mas chorei. Solucei, relembrei, chorei mais. Passou-se um tempo e resolvi. Levantei. Não tinha mais nada para fazer. Acabou. De cabeça erguida comecei a andar. Do fim da ladeira, alguém gritava por mim. Olhei. Era você, tinha voltado. Não queria, mas esperei. Você se aproximou e falou: "Eu... é... queria te pedir desculpa." Por que você não disse o que eu queria? Eu já sabia que estava arrependido. Esperei por isso!? Balancei a cabeça, insatisfeita, virei-me. Você pediu mais uma vez que eu esperasse. Não queria, mas esperei. Segurou minha mão. Podia sentir o suor das suas de nervoso. Seus olhos vermelhos de um choro recente. Mas um meio sorriso se abriu: "Eu te amo."

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Quero mais.

"Já rodei o mundo. Fui do Chile à Austrália, do Japão ao Alasca. Quero mais! Já comi de tudo. Comi lesma e lichia, jamelão e polvo. Quero mais! Já me aventurei muito. Já pulei de asa-delta, me machuquei no motocross. Quero mais! Já ri de tudo. Já ri para não chorar. Já chorei de tanto rir. Quero mais! Já amei muitas vezes. Já amei um amigo, um parente, um amor. Quero mais! Já me arrisquei muito. Já me arrisquei mais. Já me arrisquei mais e mais... E não morri."

- Vai, estou pronta! Pode me empurrar!

Com um simples empurrão nas costas, senti-me caindo de mais de oitenta metros de altura. E lá estava eu, com uma brisa batendo no rosto, e o corpo livre como pluma pelos ares. Entreguei minha vida à mais uma emoção. Afinal, o céu é o meu limite. Deve estar mesmo na hora de conhecê-lo...

sábado, 5 de junho de 2010

Vida de escritor.

Minha mão esquerda escorregou pelos meus cabelos crespos e grisalhos, enquanto a direita levava aquela chícara de café à boca. O líquido amargamente quente descia por minha garganta, esquentando assim todo o resto de corpo acordado; e mantendo meus olhos abertos pregados naquele papel ainda branco. Faltavam-me palavras para começar a completar a imensidão vazia. Faltava-me inspiração. Outra vez! Não aguentava mais aquele sono consumindo meu corpo. Meus olhos fechavam-se involuntariamente, resultando em cochilos não satisfatórios.
Talvez fosse melhor deixar para amanhã. De novo...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Odeio.

Odeio chorar. Odeio quando minha voz fica trêmula. Odeio quando minha face fica vermelha. Odeio quando meus olhos ficam inchados e miúdos. Odeio quando não tem motivo. Odeio mais quando tem. Odeio esse momento. Odeio me achar feia. Odeio me achar. Odeio achar. Odeio.

Tortura da indiferença.

Pouco ela sabe. Nem eu mesma sei. Esta tortura que me consome, consome de forma tão intensa, e ao mesmo tempo tão interna que meus ombros ficam presos. Espécies de nós se formam em meu pescoço, por não conseguir expressar essa raiva, ou essa angústia e tristeza que reinam nos atuais dias em que passo. Por que me deixou? Não falo de amor; deste já desisti. Falo de tudo que perdi, que parece tão indiferente para sua natureza de sobrevivência, que me dá ânsia ao pensar que podia não ser uma fiel amizade. Achava até que ia além disso. Além de tudo, de todos. Uma irmandade- talvez-, onde o que imperava era a fidelidade seguida por um mar de diversão. Mas cansei. Cansei de tentar entender o porquê disso tudo. Dessa indiferença grosseira que me atormenta. Cansei de ser sempre eu correndo por uma amizade que por você já ficou para trás. Injusta essa história de amarmos quem não nos ama. Mais injusto do que isso é apenas perder uma irmã por esquecimento.

Fuga.

Vou fugir para
onde quero estar
com o mundo parado
e você ao meu lado.

Escrita.

Caminho de ida;
não tem volta
nem linhas tortas.
Conciso.
Preciso.
Caminho real
e mágico.
Difícil para quem
quer,
fácil para quem
ama.

Amor não correspondido.

Doença sem cura,
pura,
dura.
Dor incontrolável,
inevitável,
inenarrável.
Pior que o mundo.
Pior que eu.
Pior que você.
Essa doença do
"eu sem você".

sábado, 29 de maio de 2010

Nostalgia.

Foi o último minuto
ao seu lado
que trouxe à tona
tudo que senti
durante milhões
deles.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cartas.

Resolvi mudar de rotina. Comecei pelo cassino. Fui para o da Gávea. Maior e com mais gente para apostar. Apostar nas cartas e numa nova vida. Porém, apesar de outro cassino, guardei comigo as antigas cartas, que me acompanharam por uma longa jornada. Estas, me trariam sorte. Tinha certeza. O meu ''as'' de sempre nunca me desapontaria, ele era eterno. Me dava sorte há anos. O jogo começara. Novos competidores, pareciam bons de jogo. Talvez aprendesse novas técnicas. Mas no primeiro momento de trocas, meu ''as'' me trocou por um novo dono. Tentei inúmeras vezes recuperá-lo, mas sem sucesso, fui desistindo. Não tinha problema, me restavam as outras cartas. As menores estavam meio esquecidas, mas ainda estavam ali, comigo. As maiores guardava à sete chaves, depois do ''as'' não poderia perder mais nenhuma. Se não perdesse minha ''dama'' da sorte, continuaria feliz. Pois afinal, ganharia novas cartas também. Umas foram ótimas para as minhas jogadas. Mudaram meu jogo de ponta a cabeça, mas até que deu certo. Porém nunca, nunca esquecia a minha ''dama''. Que dama era a minha ''dama'', tão ingenuamente pura por fora, mas de ferro dentro. Forte como só, ganhava todas as jogadas. Novos jogos. Novos sistemas de trocas. Me ofereceram muito pela minha ''dama'', mas eu não aceitara. Ela tinha que permanecer comigo. Os outros competidores tentavam roubá-la. Bom que eu era ágil suficiente para reavê-la. Estava ganhando todos os jogos. Aquele novo cassino já parecia meu lar. Eu já tinha nome e cara ali. E, além das novas cartas, continuava com a minha ''dama''. E para sempre continuaria. Senti-me apunhalada pelas costas quando esta seguiu os passos do ''as'' e parou em outras mãos. Mas não desistiria, dela não. Me restavam outras cartas. As menores estavam meio esquecidas, mas ainda estavam ali, comigo. De maiores só me restou o ''rei''. Este, tinha um caso com a ''dama'' do vizinho, mas eu tinha certeza, não me abandonaria jamais.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Castelo de vidro.

Se isto fosse um papel, as letras escritas por caneta de tinta estariam manchadas por essas águas que desabrocham dos meus olhos. Sempre achei que fôssemos tão invencíveis. Estava enganada. Uma unica pedra destruiu todo o nosso castelo construído com uma base que parecia tão sólida. Devíamos ter usado a areia mais forte, ao invés da areia da praia. Ou talvez os tijolos pesados, ao invés de tentarmos fazê-lo inteiramente de vidro. Que burrice a nossa, vidro quebra tão fácil! Talvez um dia você também se dê conta que ele não pode mais ser reconstruído, a não ser que estejamos juntas. E aí, quem sabe dessa vez apostemos apenas numa casinha, impossível de ser destruída?

Problema dela.

Muita coisa aconteceu depois daquele beijo. Ele já me olhava de um jeito estranho, como se eu fosse a grande culpada do término. Problema dela! Não fiz nada a não ser retribuir. Ele me ofereceu ajuda em química, mas não sabia - nem eu - que a química prevaleceria tanto assim. As fotos são de algum celular, com certeza. Mas pouco me importa, não fiz nada de errado. Se tem alguém errado nessa história, é ela. "Quando se ama, se cuida". Ou ela não ama, ou... Enfim, ele me preferiu. Problema dela! Ela pode fazer esse joguinho de coitada, mas não me importa realmente como ela se sente. Nunca fomos amigas. Ela sempre foi ''perfeita''. Ou achava isso. Até ver que a ''errada'' ganhou a guerra. Sim, guerra mesmo. Desde que abandonei minha casa a guerra começou. Ela me traiu antes. E aliás, não fui eu quem a trai, foi ele.
Coitada da mamãe, nunca quis ter gêmeas.

Certas coisas.

Há certas coisas
na vida
que não sei
porque
acontecem.
Simplesmente
querem
ser,
acontecer.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Casamento.

A bomba estava prestes a explodir. Não era apenas uma bomba qualquer, ela acabaria com tudo construído depois de muito tempo de dedicação e esforço. Esta, afetaria não apenas os dois responsáveis por ela, mas também dois pequenos sem idéia do que acontecia. O barulho composto de berros tomou a vez do silêncio. A tristeza e o ódio cresciam. Tudo, aos poucos, se tornava um caos, uma crise. Crise esta, já resultado da bomba quase explodindo. Quem diria que seria assim? Eles amavam-se. Não imaginaram um futuro tão conturbado ao dizer "sim". Ela chorava com a barriga inchada e botava a culpa toda nele. Afinal, a culpa era sempre dele. Talvez fosse por isso que a bomba estava prestes a explodir. Ou talvez pela mania dele de nunca assumir a culpa. Que de fato, muitas das vezes, ou até todas, era dele. Devia ser por isso que a bomba ia explodir. Os menores não ganhavam nada há meses. Ele foi demitido. Isso pode ter contribuído também para que a bomba acelerasse. E agora, a qualquer momento explodiria. Ela chorava mais, e não aguentava o peso daquela barriga inchada. Toda essa briga a deixava com náuseas. E isso, mais uma vez, para variar, era culpa dele. A bomba ia explodir a qualquer momento. A tensão tomava conta do ambiente. Os pequenos estavam assustados. Os dois responsáveis por tudo sentiam-se um pouco confusos. E ao mesmo tempo raivosos. A bomba estava na contagem regressiva: 5, 4, 3, 2... Um imprevisto: a bolsa estourou!
A bomba esperaria mais alguns anos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

.

Palavra puramente nossa.
Do nosso povo.
Total e absolutamente brasileira.
Sangue da nossa terra.
De uma ponta até outra.
Porém,
sentimento que rege
não apenas um país,
não apenas um continente,
mas um mundo:
todo mundo
e o mundo todo.

Seja ele por um dia,
uma hora,
um minuto,
um beijo,
uma foto,
um lugar
...
Saudade.

sábado, 24 de abril de 2010

Podemos.

Podemos morrer aos poucos.
Primeiro uma unha,
depois um dedo,
uma mão,
um braço,
os dois,
...
ou podemos morrer de vez:
perde-se o coração,
perde-se o amor;
e aí,
perde-se tudo.

sábado, 17 de abril de 2010

O fascínio da sujeira.

Que mundo sujo!
Mais sujo do que uma poesia rodrigueana,
porque apesar de sujas,
são tão unicamente
fascinantes.
Que mundo sujo!
Porém,
unicamente
indescutivelmente
inevitavelmente
fascinante.
Mais até do que uma poesia rodrigueana.

Nada.

Nada mais vale.
Nada mais presta.
Nada mais serve.
Nada mais tenho.
Ao mesmo tempo que tenho tudo.
Mas, não gosto de nada.
Pois nada vale,
nada presta,
nada serve....

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Antítese.

De que adianta tudo,
se não vale nada?




quinta-feira, 1 de abril de 2010

À ela.

Ela, quem é?
Ela que sabe
quem sou.
Ela que é
quem sou
quando estou bem.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Sede de vida.

Loucura é
viver com medo da morte.
Loucura é ter medo
do ano, mês, semana
que vem;
do amanhã.

Loucura é fazer planos
que chateiam-te
caso não cumpridos.

E o sonho? Loucura?

Talvez o sonho
seja uma loucura que
de tão insana
parece crível,
ou até mesmo real.
Talvez seja uma loucura
tão impossível,
que aconteça.
e talvez,
só talvez,
possa nascer,
crescer,
viver, e
não morrer jamais.

Deborah Jurberg Sargentelli.

terça-feira, 23 de março de 2010

(IM)PERFEITO

A borracha é
a mudança que
queremos.
Mas quem foi que
disse que o certo
é o perfeito?
Imperfeição é
o que há de mais humano.

Deborah Jurberg Sargentelli

Enfim sós.

Eu e ela,
só nós
sempre juntas
mas agora sozinhas

Momentos
reflito com ela,
pergunto com ela,
respondo com ela;

Eu e ela,
minha melhor amiga
a resposta do porquê
sou assim

Nós duas,
enfim,
somente nós:
eu e minha consciência.

Deborah Jurberg Sargentelli

AÇNADUM

Tudo muda;
sempre muda;
mesmo se não a queremos:
mudança.


Deborah Jurberg Sargentelli

Não há segredos.

Tu sabes que sei,
Eles sabem que sabemos.
No entanto,
é secreto.

Tu não sabes
que não sei
que não sabem
que não sabemos.
No entanto,
todos sabem.
Secreto?
Não mais.


Deborah Jurberg Sargentelli

"O teatro é a arte do ator, o cinema é arte do diretor
e a televisão é a arte do anunciante."

Paulo Autran

REAL?

Mundo de mentiras;

Homens medíocres e hipócritas

Construindo mansões magníficas

Com dinheiro roubado.


Mundo de maus tratos,

Crianças abandonadas

Vivendo nas ruas sem comida,

Vivendo sem vida.


Deborah Jurberg Sargentelli

Abismo Social.

É estranho pensar que na mesma rua onde podemos encontrar uma pessoa com uma conta bancária inacabável, também podemos encontrar uma que não tem dinheiro suficiente para sequer um café da manhã.

O espaço entre os mais ricos e os mais pobres é tão pequeno fisicamente que parece mentira quando pensamos nos quilômetros de desigualdade social que existem entre eles.

As cidades crescem cada vez mais, modernizando-se e industrializando-se. Mas junto com esse crescimento, por mais que não imaginável, crescem também o desemprego, a falta de oportunidades para os que delas mais precisam, e a desigualdade social.

De que adianta uma proximidade espacial se entre ricos e pobres há um abismo social sem fim?

Deborah Jurberg Sargentelli.

Atualmente.

Se, hoje em dia, você for considerado irado, não se assuste; você não é um cara raivoso, e sim uma pessoa muito divertida. E se te falarem que viajou, não sinta-se louco, nem ache que foi a nenhum lugar do qual não se lembra, só teve uma idéia nada a ver, viajou na maionese.

E, se numa festa, as meninas dançarem até o chão, tente considerar normal. Caso o contrário, o “anormal” passa a ser você. Se houver um casal, procure não ficar de vela. Não é uma atitude agradável nem pra eles, e nem mesmo pra você.

Para se entreter não há mais necessidade de sair de casa. Com o computador você já esquia; Com o videogame, joga futebol; E com as novelas vai até às Índias.

Atualmente tudo é mais fácil, mais rápido, e mais simples. Mas às vezes eu acho o fácil demais um saco.


Deborah Jurberg Sargentelli.