sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Areia.
Estava sentada no meio daquele mar. Sentada na imensidão azul, quase transparente, e com a areia fazendo cosquinha nos meus pés. Pensei nas horas, "que horas deveriam ser?". Pensei nos outros, "o que deveriam achar de mim?". Pensei na sorte que tinha de estar ali. Fechei os olhos. Não sentia nada, era estranho. Ao mesmo tempo que me sentia isolada de tudo numa imensidão com barulho apenas do silêncio e das ondas que quebravam nas pedras, sentia-me parte do homem urbano, o mesmo que não sente mais nada, a não ser a falta de dinheiro. Porém, o que eu mais queria era sentir algo. Não consegui, mesmo que no paraíso, me desligar da ansiedade e da necessidade. E naquele momento, onde não havia isso, estava nervosa por simplesmente não sentir nada. Permaneci meus olhos fechados. Minha pernas cruzadas, sentada na areia. Entrelacei meus dedos embaixo d'água, rezei. E então um banho de emoção me regia. Não sabia bem o que. Mas, eu estava sentindo e pensando em milhões de coisas ao mesmo tempo. Agarrei forte um montinho de areia em cada mão. Comecei a balançá-las. E ao mesmo tempo que meu corpo permanecia estagnado, minha alma estava em um movimento constante e absurdo, como aqueles grãos de areia que se perdiam na imensidão do mar enquanto caiam das minhas mãos já com fendas entre os dedos...
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