sexta-feira, 30 de abril de 2010

Casamento.

A bomba estava prestes a explodir. Não era apenas uma bomba qualquer, ela acabaria com tudo construído depois de muito tempo de dedicação e esforço. Esta, afetaria não apenas os dois responsáveis por ela, mas também dois pequenos sem idéia do que acontecia. O barulho composto de berros tomou a vez do silêncio. A tristeza e o ódio cresciam. Tudo, aos poucos, se tornava um caos, uma crise. Crise esta, já resultado da bomba quase explodindo. Quem diria que seria assim? Eles amavam-se. Não imaginaram um futuro tão conturbado ao dizer "sim". Ela chorava com a barriga inchada e botava a culpa toda nele. Afinal, a culpa era sempre dele. Talvez fosse por isso que a bomba estava prestes a explodir. Ou talvez pela mania dele de nunca assumir a culpa. Que de fato, muitas das vezes, ou até todas, era dele. Devia ser por isso que a bomba ia explodir. Os menores não ganhavam nada há meses. Ele foi demitido. Isso pode ter contribuído também para que a bomba acelerasse. E agora, a qualquer momento explodiria. Ela chorava mais, e não aguentava o peso daquela barriga inchada. Toda essa briga a deixava com náuseas. E isso, mais uma vez, para variar, era culpa dele. A bomba ia explodir a qualquer momento. A tensão tomava conta do ambiente. Os pequenos estavam assustados. Os dois responsáveis por tudo sentiam-se um pouco confusos. E ao mesmo tempo raivosos. A bomba estava na contagem regressiva: 5, 4, 3, 2... Um imprevisto: a bolsa estourou!
A bomba esperaria mais alguns anos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

.

Palavra puramente nossa.
Do nosso povo.
Total e absolutamente brasileira.
Sangue da nossa terra.
De uma ponta até outra.
Porém,
sentimento que rege
não apenas um país,
não apenas um continente,
mas um mundo:
todo mundo
e o mundo todo.

Seja ele por um dia,
uma hora,
um minuto,
um beijo,
uma foto,
um lugar
...
Saudade.

sábado, 24 de abril de 2010

Podemos.

Podemos morrer aos poucos.
Primeiro uma unha,
depois um dedo,
uma mão,
um braço,
os dois,
...
ou podemos morrer de vez:
perde-se o coração,
perde-se o amor;
e aí,
perde-se tudo.

sábado, 17 de abril de 2010

O fascínio da sujeira.

Que mundo sujo!
Mais sujo do que uma poesia rodrigueana,
porque apesar de sujas,
são tão unicamente
fascinantes.
Que mundo sujo!
Porém,
unicamente
indescutivelmente
inevitavelmente
fascinante.
Mais até do que uma poesia rodrigueana.

Nada.

Nada mais vale.
Nada mais presta.
Nada mais serve.
Nada mais tenho.
Ao mesmo tempo que tenho tudo.
Mas, não gosto de nada.
Pois nada vale,
nada presta,
nada serve....

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Antítese.

De que adianta tudo,
se não vale nada?




quinta-feira, 1 de abril de 2010

À ela.

Ela, quem é?
Ela que sabe
quem sou.
Ela que é
quem sou
quando estou bem.