quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Presa.

Me sinto presa
no meu próprio corpo.
É inevitável a
claustrofobia.

Palavras.

Quero que cheguem palavras,
em um envelope pardo,
lacrado com uma fita verde.

Enquanto ainda não sei
tornar o sonho real,
escrevo.

domingo, 24 de outubro de 2010

Valor esquecido.

Valor esquecido,
atribuído apenas quando não
há mais jeito
de dar certo.

Valor esquecido,
que nasce das cinzas
de um fogo
já apagado.

Valor esquecido,
lembrado apenas
por um momento;
e novamente esquecido.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Orgulho.

As letras borradas, a mão trêmula e o corpo fraco. Sinônimo perfeito de coração partido. Deparei-me com um peito de ferro maciço e vazio. O vermelho do meu sangue se anulava no azul do seu. E a minha tristeza era absurda perto da sua indiferença. O mais difícil de todo término é pensar que um dia houve início; que um dia, mesmo que de forma prematura e hipócrita, houve amor. E o que chamamos de amor se perdeu de forma tão fácil que chego a me perguntar se já amei. Tudo jogado fora por uma luxúria barata, da qual quem sabe, um dia você nem ao menos lembre. Senti-me um objeto que é adorado por pouco tempo, até que perde a utilidade. O pior é que nunca quis ser útil a você. Fui até egocêntrica, esqueci-me de que uma relação baseia-se em trocas. E talvez, esse egocentrismo tenha me tornado cega debaixo das mais puras e claras verdades, que possuíram-me de forma tão intensa quando descobertas, fazendo-me ver que não pensei em você de novo. Talvez, as letras borradas, a mão trêmula e o corpo fraco, não sejam sinônimo perfeito de coração partido, mas de orgulho ferido.